Transamazônica
A maior rodovia do Brasil (BR-230), que corta o Pará de leste a oeste; sonho de integração da ditadura, realidade de lama e conflito.
"Tentei ir de carro pela Transamazônica em fevereiro — fiquei duas horas atolado antes de desistir."
A Transamazônica (BR-230) é a rodovia mais longa do Brasil — com mais de 4.000 km planejados, conectando o nordeste brasileiro à fronteira com o Peru. No Pará, cruza o estado de leste a oeste passando por Marabá, Altamira e Itaituba. Foi construída no início dos anos 1970, durante o regime militar, como símbolo do projeto de 'integrar para não entregar' a Amazônia — trazer colonos do Nordeste castigado pela seca para ocupar a floresta amazônica 'vazia' (que, na prática, não estava vazia: tinha povos indígenas, ribeirinhos e biodiversidade). A rodovia foi aberta, mas nunca completamente asfaltada: vastos trechos de chão batido tornam-se impraticáveis na estação chuvosa, quando lama absorve caminhões por dias. A Transamazônica é símbolo do desenvolvimento que prometeu e não cumpriu — e também da integração que aconteceu de formas não planejadas: o eixo da rodovia virou vetor de desmatamento, de conflito fundiário e de entrada do garimpo. Para os moradores dos municípios que serve, é tudo ao mesmo tempo: a única rota, a estrada intransitável, a razão de existir da cidade e a fonte perpétua de frustração.
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DICIONÁRIO PARAENSE. Transamazônica. Disponível em: https://dicionarioparaense.com/dicionario/transamazonica. Acesso em: .