Cheia
Período anual em que os rios amazônicos sobem vários metros acima do nível de seca, inundando florestas de várzea e igapó, alterando profundamente a paisagem, a pesca e a mobilidade das comunidades ribeirinhas.
Na cheia, a casa da minha avó ficava cercada d'água — a gente saía de canoa pela janela.
A cheia é o pulso da Amazônia. Todo ano, entre os meses de dezembro e junho (com pico geralmente em abril ou maio no Pará), os rios amazônicos sobem de 5 a 15 metros em relação ao nível de vazante — um fenômeno de escala planetária que molda toda a ecologia, economia e cultura da região. Durante a cheia, a floresta de várzea fica submersa, peixes entram na floresta para se alimentar de frutos e sementes, e comunidades ribeirinhas que vivem às margens dos rios convivem com a água chegando às casas, ao quintal e às vezes ao andar térreo. A navegação, que no verão enfrenta bancos de areia e águas rasas, flui livremente pela cheia — mas requer conhecimento dos novos trajetos criados pela inundação. A cheia é esperada e temida: traz peixe, renova os solos da várzea com seus sedimentos, mas também pode destruir roças e isolar comunidades.
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DICIONÁRIO PARAENSE. Cheia. Disponível em: https://dicionarioparaense.com/dicionario/cheia. Acesso em: .