Matuto
Pessoa do interior que chega à cidade sem conhecer seus códigos — ingênua diante das armadilhas urbanas mas rica em saberes da floresta, do rio e do campo que o citadino desconhece.
Chamaram ele de matuto porque não sabia usar o caixa eletrônico — mas ele sabia encontrar água potável na floresta sem equipamento nenhum.
O matuto, no vocabulário paraense, é a pessoa do interior que se encontra num ambiente urbano sem dominar seus códigos. Não sabe o caminho do ônibus, assusta-se com o trânsito de Belém, não entende as regras implícitas da cidade — mas sabe identificar a chuva que vem a três dias de distância, conhece o nome de cem árvores diferentes, sabe pescar no rio que você nem consegue ver dentro da floresta. O matuto é caricaturado pelo citadino como ingênuo e atrasado, mas a caricatura esconde uma inversão: quem é ingênuo depende do contexto. Na cidade, o matuto está fora do elemento; na floresta, o citadino é que se perde. Em Belém, o termo é usado tanto com afeto entre amigos do interior quanto como apelido depreciativo por quem quer marcar distância social. A melhor versão do uso é a que reconhece que o matuto carrega um saber que a cidade — e o mundo — precisa urgentemente.
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ABNT
DICIONÁRIO PARAENSE. Matuto. Disponível em: https://dicionarioparaense.com/dicionario/matuto. Acesso em: .