Viração
Brisa fluvial que sopra do rio e da Baía do Guajará em direção a Belém nas horas mais quentes da tarde, funcionando como o 'ar-condicionado natural' da cidade e sendo celebrada pelos belenenses como alívio do mormaço.
Esperamos o mormaço acabar na varanda até a viração chegar — quando o vento virou, todo mundo deu um suspiro.
A viração é um dos presentes que a geografia dá a Belém. A cidade se aquece intensamente durante a manhã e o início da tarde sob o sol equatorial, mas a partir do meio da tarde uma brisa fresca começa a soprar da Baía do Guajará em direção ao interior da cidade, trazendo ar úmido e mais fresco do rio. Esse vento — que os belenenses chamam de 'viração' ou simplesmente 'o vento do rio' ou 'vento norte' — é forte o suficiente para sacudir as mangueiras da cidade e baixar a temperatura sensível em alguns graus. Na arquitetura tradicional de Belém, casas e sobrados eram posicionados para capturar a viração: portas e janelas voltadas para o norte, varandas que abriam o espaço para o vento fluir. Sem ar-condicionado, a viração da tarde era — e ainda é — o evento mais esperado do dia. A hora em que o vento vira é quase sempre seguida de um relaxamento coletivo: as pessoas abrem as janelas, saem para as varandas, e o ritmo da cidade fica mais leve.
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DICIONÁRIO PARAENSE. Viração. Disponível em: https://dicionarioparaense.com/dicionario/viracao. Acesso em: .