Anhangá
Espírito maléfico da mitologia tupi: persegue e atormenta quem mata animais com filhotes, aparecendo muitas vezes na forma do próprio animal morto.
"Não mata a veada não, ela tá amamentando — chama o Anhangá em cima de você."
O Anhangá — do tupi 'espírito mau' ou 'reflexo da alma' — é uma entidade da mitologia tupi original que a catequese jesuítica aproveitou para traduzir o conceito de demônio para os povos indígenas amazônicos. Na tradição oral paraense, o Anhangá é o espírito que persegue especificamente quem caça animais em período de amamentação — quem mata uma fêmea com cria ou filhotes. O Anhangá assume a aparência do animal morto — um veado branco, um pássaro com olhos vermelhos — e persegue o caçador até que enlouqueça ou morra. Difere do Curupira (que confunde) e da Caipora (que bloqueia a caça): o Anhangá é persecutório e psicológico. Na versão mais difundida no Pará, o Anhangá é um veado de olhos de fogo que aparece no caminho de quem matou uma fêmea no período de cria. A palavra 'Anhangá' entrou no português brasileiro como 'Anhangabaú' (rio dos Anhangás) — nome de um vale em São Paulo — evidência de que a entidade era reconhecida em todo o território colonizado pelos tupis.
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ABNT
DICIONÁRIO PARAENSE. Anhangá. Disponível em: https://dicionarioparaense.com/dicionario/anhanga. Acesso em: .