Boto-cor-de-rosa
Entidade do imaginário amazônico: golfinho cor-de-rosa que se transforma em homem bonito nas festas e seduz mulheres ribeirinhas.
"Não acredito que você vai com esse cara que apareceu do nada na festa — cuidado, pode ser boto."
O boto-cor-de-rosa é a entidade central do imaginário ribeirinho amazônico — e a mais específica da cultura paraense. Na lenda, o boto-vermelho (Inia geoffrensis), o golfinho de água doce da Amazônia, sai do rio nas noites de festa, transforma-se em homem bonito e bem vestido, sempre usando chapéu (para esconder o orifício respiratório no alto da cabeça), seduz mulheres jovens, e retorna ao rio antes do amanhecer. A lenda tem função social clara: em comunidades ribeirinhas onde gravidez fora do casamento era estigmatizada, o boto oferecia uma explicação socialmente aceitável para paternidades desconhecidas — 'o pai da criança é o boto'. A expressão 'filho de boto' é usada no Pará, com tonalidade ambígua entre o insulto e a lenda. O boto real — o golfinho cor-de-rosa do Amazonas, uma das poucas espécies de golfinho de água doce do mundo — é protegido em parte por essa mitologia: matar boto ainda é considerado tabu em muitas comunidades ribeirinhas, que temem a vingança do encante. A lenda do boto atravessa toda a Amazônia, mas é no Pará que seu imaginário está mais vivo no cotidiano.
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Fontes
- · portalamazonia.com
- · meer.com
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ABNT
DICIONÁRIO PARAENSE. Boto-cor-de-rosa. Disponível em: https://dicionarioparaense.com/dicionario/boto-cor-de-rosa. Acesso em: .