Mãe do Rio
Entidade feminina protetora dos rios amazônicos: espírito que habita os corpos d'água, comanda os peixes e pune quem desrespeita as águas.
"Antes de jogar a rede, o velho sempre pedia licença pra Mãe do Rio — e sempre voltava com peixe."
A Mãe do Rio — ou Mãe d'água — é a entidade feminina protetora dos cursos d'água na cosmologia ribeirinha paraense. Diferente de Iara (que é sedutora e atrai homens para o fundo) e da Cobra Grande (que é poderosa e destrutiva), a Mãe do Rio tem caráter de guardiã protetora: comanda os peixes do rio, determina se a pescaria será boa ou ruim, e pune quem polui, desperdiça ou desrespeita os rios. Pescadores ribeirinhos do Pará fazem pedidos à Mãe do Rio antes de lançar a rede — oferendas de flores, perfume ou cachaça no rio são comuns. A Mãe do Rio é invocada para explicar pescarias excepcionalmente boas ('a Mãe do Rio abriu o caminho') e ruins ('a Mãe do Rio fechou'). É também a entidade que rege os banhos rituais nos rios — o banho no rio no início do ano, ou o banho de ervas feito com água do rio, tem a Mãe do Rio como intercessora. A figura sobrepõe tradição indígena tupi com elementos das religiões afro-brasileiras chegadas ao Pará com Oxum e Iemanjá — a sincronia é tão completa que é difícil separar as camadas.
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DICIONÁRIO PARAENSE. Mãe do Rio. Disponível em: https://dicionarioparaense.com/dicionario/mae-do-rio. Acesso em: .