Iara
Sereia amazônica: mulher bela que vive nos rios e atrai homens para o fundo da água com seu canto irresistível.
"Aquele pescador desapareceu no rio sem explicação — o pessoal da beira diz que foi Iara."
Iara — do tupi 'senhora das águas' — é a sereia dos rios amazônicos, equivalente amazônico das sereias mediterrâneas, mas surgida de mitologia tupi independente. Na versão mais difundida, Iara é uma mulher de beleza sobrenatural, com longos cabelos escuros e pele clara (descrição possivelmente influenciada pelo colonialismo europeu — versões mais antigas tupi a descrevem diferente), que vive nos rios e canta nas margens ao entardecer. O canto de Iara é irresistível: o homem que o ouve entra em transe, caminha em direção ao rio sem conseguir parar, e desaparece nas águas. Os que 'são levados por Iara' voltam — se voltam — com expressão vazia, sem memória do que aconteceu, incapazes de se comunicar. No imaginário ribeirinho paraense, Iara explica os afogamentos misteriosos e o desaparecimento de homens em rio. Difere do boto porque o boto é masculino e ativo (age na terra, nas festas); Iara é feminina e passiva-sedutora (espera, canta, atrai). As duas entidades coexistem no imaginário sem contradição, atendendo a funções narrativas distintas.
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ABNT
DICIONÁRIO PARAENSE. Iara. Disponível em: https://dicionarioparaense.com/dicionario/iara. Acesso em: .