Encante
No imaginário amazônico: o mundo submerso paralelo que existe no fundo dos rios, habitado pelos encantados e inacessível aos mortais comuns.
"Ele caiu no rio e não afogou — foi levado pro encante. Voltou três dias depois sem lembrar nada."
O encante é o cosmologia do mundo submerso amazônico — não um lugar físico localizável, mas uma dimensão paralela que existe debaixo das águas dos grandes rios e lagos da Amazônia. Lá, segundo o imaginário ribeirinho paraense, existe um mundo completo: cidades com casas, ruas, festas, luzes e população de encantados. O fundo do rio Amazonas, do Tapajós, do Marajó são portais de acesso ao encante — e o encante tem portais de saída que podem surgir no meio do rio como um clarão de luz. Os encantados — o boto, a cobra grande, Iara, criaturas sem nome — sobem ao mundo dos vivos quando querem e voltam ao encante pela água. Mortais que 'são levados' para o encante ficam presos lá a menos que alguém os resgate antes de comerem a comida de lá — a mesma proibição estrutural que aparece nos mundos subterrâneos do folclore europeu (o mito de Perséfone, de Tom Bombadil). O encante é a geografia mítica que dá coerência ao conjunto de entidades aquáticas do imaginário amazônico: boto, cobra grande, Iara e mãe do rio são todos habitantes do mesmo lugar.
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ABNT
DICIONÁRIO PARAENSE. Encante. Disponível em: https://dicionarioparaense.com/dicionario/encante. Acesso em: .