Canoa
O transporte fundamental das comunidades ribeirinhas do Pará — escavada de tronco ou construída de madeira, é o veículo que conecta o mundo amazônico.
"A comunidade não tem estrada — todo mundo chega e sai de canoa pelo igarapé."
A canoa no Pará não é objeto de museu — é veículo de uso cotidiano em centenas de comunidades onde não há estrada e o único caminho é o rio. Pode ser uma canoa monóxila (esculpida diretamente de um tronco único, tecnologia indígena com milênios de uso) ou uma canoa de madeira serrada, construída por carpinteiros navais ribeirinhos que aprenderam o ofício de pai para filho. Canoas têm tamanhos para cada função: a canoinha de pesca, que cabe duas pessoas; a canoa de transporte, que leva carga e família; a montaria (versão menor e mais ágil, usada a remo). No imaginário paraense, a canoa é metáfora de vida — 'virar a canoa' é tomar caldo, dar errado, sofrer revés inesperado. Construir canoa é arte: o carpinteiro naval ribeirinho seleciona a madeira (cedro, louro, maçaranduba), conhece o comportamento do tronco no calor e na água, e trabalha com adze e terçado. Hoje, muitas canoas têm motor de rabeta — mas a canoa em si permanece.
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DICIONÁRIO PARAENSE. Canoa. Disponível em: https://dicionarioparaense.com/dicionario/canoa. Acesso em: .