Barracão
O armazém do seringalista onde o seringueiro comprava fiado e vendia látex — centro do sistema de aviamento e símbolo da exploração econômica dos trabalhadores da floresta.
"O caderno do barracão tinha a dívida anotada — o seringueiro nem sabia ler, mas confiava no dono."
O barracão era o ponto comercial central de cada seringal — um armazém onde se vendiam mercadorias aos seringueiros (por crédito, no sistema de aviamento) e se recebia e pesava o látex entregue pelos mesmos. A estrutura era frequentemente uma construção simples de madeira às margens de um rio ou igarapé, com estoque de gêneros alimentícios, ferramentas, tecidos, remédios e cachaça. O barracão era o único ponto de comércio disponível para o seringueiro — não havia alternativa, não havia concorrência, não havia preço justo de mercado. Os preços praticados pelo barracão eram definidos pelo seringalista, que também definia o preço que pagava pelo látex. A diferença entre o que cobrava e o que pagava era sempre favorável ao seringalista. O barracão foi, portanto, o instrumento material do aviamento — onde a exploração acontecia concretamente, no balcão, no peso da borracha e na anotação da dívida no caderno. Nos anos do Ciclo da Borracha, os donos de barracão no Pará acumularam fortunas imensas. Hoje, 'barracão' no Pará pode se referir a galpão ou depósito de forma mais genérica, perdendo a conotação histórica específica do seringal.
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ABNT
DICIONÁRIO PARAENSE. Barracão. Disponível em: https://dicionarioparaense.com/dicionario/barracao. Acesso em: .