Aparelhagem
Sistema de som de grande porte das festas populares de Belém — caixas de som do tamanho de prédios, DJs, luzes e multidões de milhares de pessoas. Aperreado / Aperreada
Estressado, preocupado, pressionado — adjetivo de origem nordestina amplamente incorporado ao falar paraense para expressar ansiedade e sufoco. Aplica
No Pará usa-se 'aplica' (não 'aplicar') no lugar do verbo. Confirma exagero ou mentira (potoca) contada por alguém — equivale a 'tá exagerando' ou 'conta outra'. Aprontar
Fazer algo inesperado e problemático — travessura, artimanha, comportamento fora do esperado. Muito vivo no cotidiano paraense. Apurrinhar
Incomodar, atormentar, encher a paciência; também o estado de quem está irritado. Arreda aí / Te arreda
Afastar-se, chegar pra lá. Arrochado / Arrochada
Difícil, apertado, complicado — situação ou pessoa que exige muito esforço ou que não cede facilmente. Arrumar
No Pará: além de organizar/limpar, 'arrumar' significa servir, preparar, conseguir — 'arruma um café' = serve um café. Atravessado / Atravessada
No falar paraense: de mau humor, irritado, com algo travado na garganta metaforicamente — pessoa ou situação que não está bem. Ave Maria
Interjeição de surpresa, alívio ou devoção, muito usada no Pará com intensidade expressiva que vai do cotidiano ao espiritual. Axí credo
Expressão de desdém/nojo; demonstra que não gosta de algo. Bater papo
Conversar informalmente, sem pressa e sem propósito definido — prática social central da vida paraense. Bicho
No Pará: tratamento informal masculino para amigos e conhecidos — equivalente de 'cara', 'meu', 'véi' —, mas com sabor regional específico. Bombom
No Pará, qualquer bala ou doce. Bora
Contração de 'vamos embora' — convite ou ordem para partir, típico de toda a oralidade brasileira mas com usos específicos no Pará. Borimbora
Aglutinação de 'bora ir embora?'; chamar alguém pra sair. Botar defeito
Criticar, apontar falhas, reclamar — expressão muito viva no Pará com o verbo 'botar' no lugar do 'pôr' do português padrão. Botar pra quebrar
Fazer algo com toda a energia e entusiasmo — especialmente numa festa, apresentação ou esforço em que não se guarda nada. Caboco / Caboca
No Pará: pessoa de origem mestiça indígena e branca do interior amazônico — identidade social e cultural fundamental, usada com orgulho ou como insulto dependendo do contexto. Caçar
No falar paraense: além de 'caçar animais', significa procurar qualquer coisa — emprego, casa, confusão, namorado — com conotação de busca ativa. Canseiro
No Pará: pessoa ou situação que cansa, irrita ou esgota pela insistência ou pela dificuldade — um dos termos mais usados do vocabulário afetivo-negativo paraense. Caô
Mentira, história inventada, exagero — 'passar um caô' é convencer alguém de algo falso com facilidade e charme. Capar o gato
Ir embora, sair de fininho. Carimbó
Ritmo e dança tradicional do Pará — tambor de origem indígena e africana, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Cheio de gosto
Expressão paraense de alegria intensa — 'fico cheio de gosto' = fico muito feliz, fico encantado, é com grande prazer. Danado / Danada
No Pará e no Nordeste: travesso, esperto, impressionante — adjetivo de elogio misto de admiração e repreensão leve. Dar a forra
Retribuir um favor, compensar alguém. Dar conta
Conseguir fazer, dar o jeito, resolver — 'dá conta' é o falar paraense para 'consegue resolver isso?' Dar mole
Ser descuidado numa situação de risco ou oportunidade — ou, no contexto amoroso, sinalizar interesse de forma não declarada. Dar uma de
Fingir ser, agir como se fosse — expressão para quem assume uma postura ou identidade que não lhe pertence. Dar um jeito
Encontrar uma solução improvisada para um problema — expressão universal brasileira que no Pará tem dimensão específica de resiliência amazônica. Dá teus pulos
Vira-te, resolve teus próprios problemas. De boa
Tranquilo, bem, sem problemas — expressão de relaxamento e ausência de conflito muito usada no Pará contemporâneo. De rocha / Dirocha
Confirma que algo é verdade mesmo, pra valer. (Não existe 'da rocha'.) Deus me livre
Expressão de recusa enfática, medo ou horror — no Pará, usada com frequência e intensidade maior do que em outras regiões. Êêêê
Tom irônico de desconfiança. Égua
A interjeição mais paraense que existe: usada para surpresa, admiração, susto, indignação ou humor — uma palavra que diz tudo dependendo do tom. Eita
Interjeição de surpresa ou ênfase compartilhada com o Nordeste, mas de uso intenso no Pará — especialmente combinada com outros termos. Encarnação / encarnar
Zoar, tirar sarro de alguém, especialmente após um vexame. Encrencar
Criar ou entrar em problema, confusão ou encrenca — o verbo para quando a situação azeda. Esbandalhar / Escangalhar
Quebrar, destruir, deixar em desordem (objetos ou situações). Esquentar a cabeça
Preocupar-se, se estressar com algo — e 'não esquenta' é o conselho paraense de relaxar e não se aperrear. Eu chooro!!!
Indiferença total; 'não tô nem aí', 'te vira'. Fazer o quê
Expressão de resignação e aceitação diante do inevitável — o 'não tem jeito' paraense dito com a leveza de quem decidiu não se aperrear. Ficar de besta
Ficar sem reação, perplexo, pasmo diante de algo surpreendente — a versão paraense do 'fiquei boquiaberto'. Fuxico / Fuxicar
Fofoca, mexerico e o ato de fofoca — e 'fuxiqueiro/a', a pessoa que não para de fofoca. Presente em todo o Brasil mas de uso intenso e característico no Pará. Galinha morta
Pessoa lenta, sem energia, que se arrasta sem agilidade — expressão do vocabulário popular paraense para quem não tem pressa nem vigor. Gostoso / Gostosa
No Pará e no Norte: engraçado, divertido, com bom humor — uso específico que vai além do sentido padrão de 'saboroso' ou 'atraente'. Inverno amazônico
No Pará: a estação chuvosa (dezembro a maio) é chamada de 'inverno' — o oposto do que o restante do Brasil espera, e fonte constante de confusão. Ixi
Interjeição paraense de surpresa leve ou moderada; equivalente a 'nossa' ou 'uau', com tom mais contido que o égua. Já estás no teu momento
Advertência a quem está se passando/abusando da boa vontade. Já me vú / Já mivú
'Já vou', estou indo embora. Lambada
Ritmo dançante originário de Belém do Pará que conquistou o mundo nos anos 1980-1990 — e que muita gente não sabe que é paraense. Lá na caixa prego
Muito longe, no fim do mundo. Lascado(a)
Ferrado, em maus lençóis; também algo estragado. Levou o farelo
Morreu; (também usado, em outro contexto, no sentido de 'deu-se mal'). Macaco velho
Pessoa experiente, que não é facilmente enganada — quem já viveu muito e acumulou sabedoria prática. Macete
Truque, atalho, técnica não óbvia que facilita uma tarefa — o conhecimento prático que vem da experiência, não do manual. Maninho / mana
'Mano/cara'; tratamento afetuoso universal. Mas credo
Espanto, normalmente diante de algo negativo. Mas quando!
Negação enfática/deboche; 'de jeito nenhum', 'nada a ver'. Massa
Ótimo, incrível, muito bom — adjetivo de elogio de origem nordestina, amplamente usado no Pará especialmente entre gerações mais jovens. Me erra (me mira, mas me erra)
'Me deixa em paz', para de incomodar. Mermão
Contração de 'meu irmão'; tratamento informal e carinhoso. Meu fi / Minha fia
Tratamento afetivo típico do Pará e do Nordeste — contração de 'meu filho' / 'minha filha', usado para qualquer pessoa com carinho e familiaridade. Miado(a)
Sem graça, broxante, fraco (de ambiente/clima/coisa). Misericórdia
Interjeição paraense de espanto ou horror intenso — um dos palavrões suaves da religiosidade popular do estado. Moço / Moça
Tratamento respeitoso e neutro no Pará para se dirigir a desconhecidos — mais formal que 'bicho' ou 'maninho', mas menos que 'senhor/senhora'. Morto de fome
Muito faminto — mas também: pessoa mesquinha, que finge pobreza ou que é avarenta de forma constrangedora. Muito palha
Algo ruim, chato, sem graça. Na lata
Imediatamente, na hora, sem pensar dois vezes — ou: diretamente, sem rodeios. Na vera
Expressão paraense para 'de verdade', 'sério', 'não estou brincando' — reforço de veracidade no discurso oral. Nego / Nega
Tratamento afetivo informal no Pará — 'minha nega', 'meu nego' — sem conotação racial necessária, mas com sensibilidade que varia por contexto. Nem te bate
'Deixa pra lá', não liga pra isso. O cavalo mordeu tua cabeça?
Questiona a lógica de uma atitude absurda. Olha que o pau te acha / Pau te acha
Alerta de que atitudes erradas terão consequências; (tb.) apanhar. Oxe
Interjeição de surpresa ou inconformidade de origem nordestina, incorporada ao falar paraense pela influência da migração ceará-maranhense. Pagou o sapo
No Pará, expressão de espanto ou surpresa ('nossa!', 'caramba!'); em outras regiões do Brasil, é mais usada no sentido de levar uma bronca. Pai d'égua
Algo excelente, fenomenal; aprovação máxima. Paraíba
No Pará: termo usado para se referir genericamente a migrantes nordestinos — independente do estado de origem — com conotações que vão do afetivo ao preconceituoso. Peba
No Pará: velho, gasto, de má qualidade, ultrapassado, em mau estado — adjetivo versátil para tudo que está deteriorado ou fora do ideal. Pegar no pulo
Flagrar alguém fazendo algo errado ou escondido — pegar em flagrante, no momento exato da ação. Pegar o beco
Ir embora; também fugir. Pescar
No falar paraense: estar distraído, não prestar atenção, não entender o que está acontecendo — extensão metafórica do ato de pescar (esperar parado, de cabeça longe). Pisar na bola
Errar numa situação importante, desperdiçar oportunidade ou agir de forma inadequada no momento decisivo. Pitiú
No Pará e no Norte: cheiro forte e desagradável — especialmente o cheiro de peixe, de suor ou de coisa velha. Sinônimo popular de fedentina com sotaque regional. Pô-pô-pô
Barquinho pequeno a motor, comum entre ribeirinhos. Por fora
Não saber o que está acontecendo, estar desatualizado sobre uma situação — 'tô por fora' = não fui informado, não sei de nada. Potoca / potoqueiro
Mentira/história inventada; quem mente. Quebrado / Quebrada
Sem dinheiro, em situação financeira difícil — mais intenso que 'teso', implica que a situação está de fato quebrada, sem conserto imediato. Rapariga
No Pará (e no Norte/Nordeste): simplesmente 'moça jovem' — sem a conotação pejorativa que a palavra tem no Sul do Brasil e em Portugal. Rapaz
No Pará: interjeição de espanto ou admiração, independente do sexo do interlocutor — um dos bordões mais frequentes do falar paraense. Rasga (daqui)
'Suma', 'vá embora'. Sacanear
Fazer algo desonesto, enganar, prejudicar ou pregar uma peça de forma que vai além da brincadeira — o termo para a traição miúda do cotidiano. Salgado
No falar popular paraense: caro, com preço excessivo — 'tá salgado' é a reclamação padrão de qualquer paraense diante de um preço abusivo. Só o creme, mano!
Só o melhor; algo muito bom. Só o filé
Situação ótima, de conforto/satisfação plena. Só te digo vai
Advertência irônica sobre uma má ideia ('vai lá pra ver no que dá'). Clássico de mãe. Tá, cheiroso
Discordância irônica. Tá ligado
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